Regiões com acessibilidade: mapa mostra locais acessíveis em SP
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Regiões com acessibilidade: mapa mostra locais acessíveis em SP
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Pesquisa apresenta regiões com acessibilidade em São Paulo

08:00 25 julho in Matérias, Site
Estudo mostra quais bairros da capital são mais acessíveis para a população
regiões com acessibilidade

Um estudo realizado por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) mostrou quais são os lugares da cidade paulistana que têm mais e menos regiões com acessibilidade. A pesquisa resultou num mapa e revelou que o centro da capital possui locais mais acessíveis que as demais partes.

O levantamento foi realizado por uma equipe de pós-graduação, comandada por João Marcos Barguil, doutorando em ciência da computação e Fabio Kon, professor de ciência da computação. Os dois pesquisadores são do projeto InterSCity, do IME-USP (Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo), que é financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Para construírem o mapa, eles utilizaram bases de dados públicos e conseguiram montar o estudo, como explica Barguil. “Como ponto de partida, utilizamos dez bases de dados sobre a cidade de São Paulo. A maioria delas veio da própria Prefeitura, por meio do portal GeoSampa, e também do site da SPTrans”, informa.

O pesquisador acrescenta que eles usaram dados fornecidos por duas startups, que são referência no segmento. “Utilizamos também dados de duas startups: a Scipopulis, empresa de monitoramento e análise de dados de mobilidade urbana, que nos forneceu dados sobre os ônibus paulistanos. A segunda startup é o guiaderodas, um guia colaborativo de acessibilidade para pessoas com dificuldade de locomoção”, declara. O aplicativo da guiaderodas foi premiado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2017, por oferecer a melhor plataforma de solução digital para inclusão, com as avaliações de milhares de locais acessíveis e não acessíveis do município de São Paulo.

Segundo Barguil, o estudo teve como objetivo criar uma escala comparativa, que pudesse medir a acessibilidade de vários pontos da capital de São Paulo. “Nosso objetivo era criar uma escala comparativa para medir a acessibilidade das diferentes regiões da cidade, buscando estabelecer uma metodologia que permita dizer “quanto” um distrito A é mais (ou menos) acessível que um distrito B.”, discorre.

 

Regiões com acessibilidade maior são mais vistas em bairros do centro

 

Para medir a acessibilidade, os pesquisadores deram notas de 0 a 10 para os locais. Ao todo, foram avaliados 96 distritos de São Paulo. O bairro que recebeu a nota máxima foi o Brás, localizado na zona central. O lugar, que é conhecido por seu comércio popular, teve essa avaliação por apresentar poucos desníveis, além de facilitar o deslocamento a pé.

Outros bairros, como o Bom Retiro, Pari, Santa Cecília e Belém, também ganharam boas notas, devido aos seus terrenos pouco acidentados. Na classificação geral, onde todos os critérios foram envolvidos, o Brás ficou em primeiro lugar. Em seguida, aparece a República e a Sé, ambos no eixo central também.

Conforme Barguil, fatores como natureza topológica e mobilidade contribuíram para as notas altas dessas zonas. “As regiões centrais tiveram um bom desempenho, em grande parte pela natureza topológica da cidade – o centro é bastante plano, principalmente se comparado com os extremos Norte (Serra da Cantareira) e Sul (Serra do Mar) da cidade. Além disso, a maioria das rotas de transporte que ligam as regiões Leste, Oeste, Norte e Sul, passam pelo centro. Como resultado, os grandes eixos de transporte público estão na zona central. Por isso, os distritos centrais também tiveram um desempenho melhor nos quesitos de mobilidade”, analisa o pesquisador.

Já os bairros mais periféricos, bem afastados do centro, tiveram um desempenho baixo. Distritos como Marsilac, no extremo Sul da cidade, obteve nota zero. Tremembé, situado na zona Norte, recebeu 0,39, pelas suas condições geográficas. Os locais com as piores notas em todos os quesitos avaliados foram os bairros: Cachoeirinha, da zona Norte; José Bonifácio e Iguatemi, da região Leste. Para conferir a colocação de todos, acesse a página do estudo: interscity.org/apps/acessibilidade.

 

Critérios utilizados para definir regiões com acessibilidade

 

Barguil conta que foram utilizados cinco critérios, que foram agrupados em três eixos, para caracterizar um local como acessível: o relevo, para verificar a topografia da cidade; a mobilidade, em que os pesquisadores analisaram o transporte público e privado (vagas reservadas para idosos e pessoas com deficiência se encaixam neste item); estabelecimentos, onde foi avaliada a acessibilidade de prédios, com base nos lugares que tinham o Selo de Acessibilidade da Prefeitura Municipal e nas avaliações dos usuários do aplicativo guiaderodas.

O fator que teve melhor resultado entre os bairros foi a topografia, já que a capital está situada em uma área de planalto. O pior ponto foi em relação à distância que os usuários precisam percorrer para poder utilizar o transporte público.

A SMPED (Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência) esteve presente no dia da apresentação do trabalho e já está se comunicando com os pesquisadores, para que o estudo seja analisado pelo órgão.

Para quem quiser acessar o mapa interativo com as notas totais e parciais, assim como visualizar a tabela completa, a pesquisa está disponível no endereço: interscity.org/apps/acessibilidade/.

Editora Rudder

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