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Paradigmas do engenheiro: Engenharia Estratégica
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Engenharia Estratégica I

10:00 28 junho in Matérias, Site
O engenheiro civil, perito judicial e membro do IBAPE/SP, Alberto Barth, aborda alguns paradigmas da profissão de engenheiro
paradigmas do engenheiro

A genial afirmação de Leonardo Boff sobre a sustentação dos mais diversos assuntos que cercam alguém, como os seus desafios, é sem dúvida ligada a posição que esse alguém ocupa dentro de seu campo social, portanto, se todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão do mundo. (BOFF, Leonardo. A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1998, p. 9.).

A afirmativa nos remete para o campo do conhecimento, e da transmissão de ideias, seja pelo debate ou pelas linhas de ensino. Estaremos, nós os engenheiros, personagens centrais da capacitação tecnológica de uma nação, aptos a atuarmos com desenvoltura no campo das ideias?

A prática profissional do dia a dia revela que não, faltando muito nesse campo, pois ainda mal caminhamos pela trilha do racionalismo cartesiano, resultado do pensamento estabelecido por Descartes, em Discurso do Método (1637), e Meditações Metafísicas (1641), levando-o a duvidar de tudo, convencido de que tanto a opinião tradicionalista, como a experiência da humanidade se constituem por duvidosos guias, obrigando-o a adotar um novo método isento da influência de ambos. Curiosamente, ao contrário do que se julga, Descartes por ter proposto tal método fosse defensor do materialismo, ele era um espiritualista extremamente desenvolvido, usando todas as áreas de seu cérebro.

Então falta algo importante, permitindo que deixemos de ser excessivamente operacionais e passemos a ser mais estrategistas, com influência dinâmica no mercado corporativo, rompendo paradigmas, a exemplo de que é natural um engenheiro escrever mal apenas porque lida com números, ou não se interessar por ciências humanas pelo fato de lidar com tecnologia. Estamos na era do homem integral que enlaça conhecimentos dos mais diversos conectando a outros dentro e fora de sua realidade, ajustando seu approach frente a complexidade de sua profissão.

Dentro do pleno pensamento cartesiano, a primeira verdade que é a inegável, possuímos lacunas consideráveis a serem preenchidas, destacando-se a formação interpessoal, entre elas o aprendizado, seja na forma de aprender ou transmitir conhecimento, imprescindível dentro de um mundo totalmente interconectado, dirigindo nossa atenção para a forma como nos comunicamos, seja no lar ou na empresa.

O engenheiro precisa atentar que temos verdadeiras doenças nessa área, que precisam ser tratadas. Afinal, alguém gosta de sofrer? Pergunto isso porque existe de forma muito difundida a ideia de que o aprendizado é associado ao sofrimento! O aprendizado que leva a nossa reformulação deve ser divertido, humanitário e holístico.

As pessoas aprendem e se comunicam de maneiras diferentes, e nisso tem papel relevante a andragogia, a ciência ou arte que orienta os adultos a aprenderem, segundo Malcolm Knowles, em contraposição a pedagogia dirigida ao aprendizado de crianças.

Nossa proposta é de pensamento, induzindo o engenheiro a atuar como facilitador de processos, permitindo buscar posições de decisão, de transmissão de conhecimento, sendo o agente de estratégias humanizadas que levem a empresa, a nação a outros patamares de evolução.

Alberto Barth é técnico industrial em cerâmica, engenheiro civil, pós-graduado em perícias e avaliações de engenharia, perito judicial, membro titular do IBAPE/SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo), diretor desde 1994, do Escritório Técnico de Engenharia e Consultoria Alberto Barth SS Ltda.

Editora Rudder

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