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Mais uma vez o SPT - Fatos irretorquíveis x confiabilidade - Revista Fundações
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Mais uma vez o SPT – Fatos irretorquíveis x confiabilidade

16:08 26 setembro in Coluna do Conselho, Edição 70, Matérias
Fatos irretorquíveis x Confiabilidade

Fato 01: as Sondagens de Simples Reconhecimento com SPT (Standard Penetration Test) são o procedimento mais popular e econômico presente na quase totalidade dos projetos das obras de engenharia no Brasil.

Fato 02: o SPT constitui-se em uma medida de resistência à penetração dinâmica conjugada a uma sondagem de simples reconhecimento, com a possibilidade de identificação do material colhido no decorrer do ensaio, com baixo custo, o que explica, em parte, a sua popularidade.

Fato 03: em 1974, durante o V COBRAMSEF (Congresso Brasileiro de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações), realizado em São Paulo (SP), um grupo seleto de profissionais do Rio de Janeiro e de São Paulo denunciou veementemente a baderna que reinava no Brasil, sem distinção de região, quanto aos processos executivos e, principalmente, quanto à competência duvidosa de pequenas empresas e/ou de profissionais responsáveis pela execução e pela apresentação dos resultados de sondagens de simples reconhecimento do subsolo.

Fato 04: em 1982, registrei, em artigo publicado na Revista Técnica do Clube de Engenharia da Bahia (ano 1, vol. 1, out./dez., páginas 27 e 28, Salvador, 1982), diversas constatações, cuidados e incertezas inerentes à execução de sondagens de simples reconhecimento nas regiões Leste e Nordeste do Brasil.

Fato 05: em 31 de abril de 2011, no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) de São Paulo foi realizada a mesa-redonda “Sondagens – Método, Procedimentos e Qualidade”, promovida pela ABGE (Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental) e pelo Núcleo São Paulo da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica), na qual também ficaram registradas deficiências ainda existentes e sem aparente solução em curto prazo.

Fato 06: os engenheiros responsáveis pelo projeto estrutural da maioria das obras civis executadas e em execução no nosso país necessitam de e/ou utilizam dados e informações relativas ao subsolo, para desenvolver e executar seus projetos.

Fato 07: os arquitetos também deveriam ter acesso a tais informações, antes de desenvolver seus estudos, mas ambos os profissionais nem sempre o fazem.

Fato 08: há mais de meio século, assisto impotente ao descaso com que o assunto é tratado por colegas, por empreendedores e por órgãos públicos.

Fato 09: até hoje e infelizmente, porém e quase sempre, a execução de Sondagens de Simples Reconhecimento com SPT (hoje normatizada: NBR 6.484:2001), tem sido o único instrumento utilizado em todos os estados brasileiros, pela maioria dos construtores e/ou empreendedores, visando obter aquilo que considero o mínimo de informações relativas ao subsolo e destinadas ao projeto de fundações, entre outros objetivos.

Fato 10: na maioria das situações de rotina, os contratantes dessas sondagens pagam por elas, mas sequer fiscalizam sua execução e repassam os relatórios recebidos, sem analisar seu conteúdo e sem avaliar sua qualidade e/ou confiabilidade.

Confiabilidade 01: como aceitar, e/ou confiar em relatórios de sondagens de simples reconhecimento que informam haver sido utilizado um “barrilete SPT”, ou “tipo Terzaghi (!?)”, ou “Raymonds (?)”, ou apresentam valores de NSPT P/100 – P/100 – P/100 – P/100 – P/100 (em sequência)?, além de outras barbaridades que não cabe aqui reproduzir.

Confiabilidade 02: e como, por exemplo, confiar em quem utiliza esses dados para, recorrendo a correlações consagradas, mas de aplicação restrita, calcular valores de “tensão admissível” em kgf/cm² com aproximação de um decimal?

Confiabilidade 03: até quando viveremos essa realidade? Estaremos sucumbindo diante da proliferação do vírus da incompetência, da bactéria da irresponsabilidade, dos protozoários da ignorância e dos fungos da usura?

Segundo um velho ditado, “você paga pelos estudos geotécnicos, quer os realize, quer não!” (Prof. Heinz Brandl, ex-vice presidente da ISSMGE – International Society for Soil Mechanics and Geotechnical, John Mitchel Memorial Address, 7th Deep Foundation Institute Conference, Vienna, 1998).

Acrescento: não apenas quem executa as sondagens, mas também quem utiliza os resultados por ela fornecidos contribui para que o projeto seja ou não confiável.

Edição 70 Coluna do Conselho Foto 01

Moacyr Schwab de Souza Menezes é engenheiro civil pela EPUFBA (Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia), em 1955 e master of science in civil engineering pela Purdue University (USA) (1958). Foi engenheiro do DER-BA (Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia – Laboratório Central), entre 1956 e 1969, professor-adjunto da EPUFBA, entre 1959 e 1981, consultor autônomo, entre 1981 e 2008 e sócio da GEOTEST Projetos e Consultoria Ltda., desde 2008 até os dias atuais.

Editora Rudder

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