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Novo Elevado do Joá: Engenheiros revelam desafios ao construir
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Engenheiros envolvidos na construção do Novo Elevado do Joá revelam os desafios da obra

08:00 27 junho in Matérias, Site
O novo Elevado foi erguido em 21 meses e ainda enfrentou problemas geológicos
elevado

Por Dafne Mazaia

No começo de junho, os engenheiros responsáveis pela construção do Novo Elevado do Joá, no Rio de Janeiro, participaram de uma palestra no Clube de Engenharia da cidade e falaram sobre os desafios do empreendimento. Os cinco profissionais contaram ao público quais foram as principais dificuldades de levantar uma obra em 21 meses.

Com aproximadamente 5 quilômetros de extensão, o complexo inclui o Novo Elevado, o viaduto em São Conrado, um trecho de ciclovia, dois túneis, a Ponte da Joatinga e os alargamentos da via que já existia. Os especialistas disseram que os maiores obstáculos do projeto foram a logística, o prazo de 21 meses e as condições da região.

De acordo com o gerente de contrato da Odebrecht Engenharia e Construção, Rogério Dourado, que na época ocupava o cargo de diretor, foi preciso muito planejamento para a entrega do trabalho. “O complexo exigiu um planejamento rigoroso, detalhado e com capacidade de rápida alteração em função dos obstáculos encontrados na execução, uma vez que a data de entrega e o custo final da construção eram marcos fixos”, relata.

 

Condições geográficas foram um dos empecilhos na construção do Novo Elevado do Joá

 

O projeto foi executado próximo ao mar, com rochas e escarpas permeando o local, perto de uma zona residencial. A Prefeitura do Rio de Janeiro constatou que era preciso desapropriar 13 áreas. Assim, seria possível realizar as obras nas áreas liberadas. O trâmite afetou o início do empreendimento, conforme relembra Dourado. “Como próximo ao local há um conjunto de residências e uma área de vegetação preservada, a licença ambiental obtida permitia detonações apenas com avanços de 30 metros por dia, em cada frente de escavação e, ainda assim, com nível de vibração e ruído controlados. As interdições ao tráfego também eram rápidas e em horários específicos”, pontua.

Foram necessárias três frentes de escavação em um dos túneis, segundo o engenheiro. Além disso, havia interrupções durante a execução do trabalho. Os moradores notavam os barulhos gerados pelas obras e chamavam os profissionais para relatar os ruídos.

 

Diferenciais da obra do Novo Elevado do Joá

 

Por ser um projeto com tantas peculiaridades, desde seu tempo de execução aos aspectos geográficos, a obra contou com detalhes diferenciados. Um deles foi em relação ao uso de pré-moldados. Foi preciso um aumento de 15% na resistência do viaduto em curva, caso contrário ele poderia não aguentar o transporte das vigas.

Além disso, também foi necessário aplicar soluções específicas para as fundações de cada trecho da pista do elevado, devido às rochas diversas e ao solo escarpado. A estratégia visou ampliar a vida útil da estrutura, com aparelhos de apoio em aço e neoprene.

Na Ponte da Joatinga, os engenheiros revelaram que precisaram executar a obra por balanços sucessivos, com apoio de carrinhos de avanço hidráulico, um modelo usado pela primeira vez no País. Houve a necessidade de usar mais pré-moldados com posições particulares de cada uma das peças.

Outro diferencial do empreendimento foi a inevitabilidade de controle das detonações, que não prosseguiram até o término da obra. Os projetistas precisaram adotar o corte a frio com fio diamantado e readequar as faixas de rolamento dos túneis antigos, devido à construção da ciclovia, que precisou ser adaptada também.

Para Rogério Dourado, a construção do Novo Elevado do Joá foi uma das mais difíceis do Rio de Janeiro. “Foi uma das obras mais complexas e desafiadoras já executadas no Rio de Janeiro, devido às condições de logísticas e prazo curto para finalização, com data fixa para entrega, mesmo com mudanças externas ao longo da realização do projeto. Toda a extensão do Novo Joá foi inaugurada conforme previsão, em maio de 2016”, declara.

Ao fim da apresentação, o diretor do Clube de Engenharia, Luiz Carneiro, concluiu que a obra foi concretizada com maestria e cumpriu as regras de preservação ambiental. Construído para ser um dos legados das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, o elevado liga a zona sul à zona oeste da cidade.

Editora Rudder

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