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Cresce o interesse e a produção técnico-científica sobre águas subterrâneas no país - Revista Fundações
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Cresce o interesse e a produção técnico-científica sobre águas subterrâneas no país

09:24 01 novembro in Eventos, Matérias
Quinta edição do CIMAS ocorrida nos últimos dias de outubro, bateu o recorde de produção técnico-ciêntifica relacionada a águas subterrâneas
VCIMAS

A Produção técnico-científica relacionada ao meio ambiente e águas subterrâneas bateu  recordes com a realização do V CIMAS – V Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo, que aconteceu nos dias 30 e 31 de outubro, em São Paulo, na sede da Fecomércio.

O evento, realizado em paralelo ao 2º Encontro Técnico de Produtos e Soluções para Águas Subterrâneas e à Fenágua – Feira Nacional da Água, trouxe além dos 109 trabalhos científicos, cerca de 250 técnicos, especialistas e representantes do setor público que debateram temas como modelos de gestão de águas subterrâneas,  tecnologias, regularização de poços, auditoria de águas contaminadas, avaliações ecotoxicológicas (água e solo) e muitos outros. O aumento do interesse fez com que os organizadores ampliassem o espaço para as apresentações orais, que contaram com 29 trabalhos expostos.

Medidas de proteção

De acordo com o presidente do congresso, Everton de Oliveira, a mobilização em torno da boa gestão das águas subterrâneas deve ser uma constante. “No Brasil e em todo o planeta são necessárias medidas que protejam não apenas a água e o solo, mas principalmente os usuários”, salienta.

Apesar da grande quantidade de água, existe o risco de escassez decorrente da falta de infraestrutura e de gestão adequada desse recurso. Há também as interferências geográficas, já que a grande concentração de água não está necessariamente nos locais de maior necessidade.

Estudos hidrológicos recentes estimam que o volume total da água de superfície existente no planeta – córregos, rios e lagos – equivale a aproximadamente 120 mil quilômetros cúbicos e correspondem a apenas um centésimo do volume estocado nos reservatórios subterrâneos, estimado a 10.3 milhões quilômetros cúbicos.

Fornecimento garantido

O geólogo José Paulo Neto, presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), reafirma que o Brasil possui mananciais de grande magnitude de água subterrânea, que precisam de boa gestão para manter essa disponibilidade. “O brasileiro não corre o risco de ficar sem água subterrânea, mas está suscetível a consumir água contaminada, em razão de más políticas de gestão”, alertou.

Segundo ele, os poços artesianos não vão esgotar os aquíferos subterrâneos, tampouco acabar com a água do planeta, nem se pode impedir o direito de uso baseado em interesses econômicos. “Embora muitas pessoas não saibam, as águas subterrâneas geram entre 600 mil a 1 milhão de empregos diretos e indiretos, garantindo o abastecimento de 48% da população brasileira”, diz Neto.

Contaminação

Diferentemente das águas superficiais, expostas facilmente à contaminação, as águas subterrâneas são mais protegidas contra os poluentes, por estarem entre espessos estratos de rochas. Mas em algumas situações podem, assim como as águas superficiais, estar sujeitas a certo grau de poluição decorrente da contaminação do solo por produtos químicos de origem agrícola (pesticidas), industrial (chumbo e outros metais pesados) e residencial (esgoto doméstico).

Para o professor Roberto Braga, da Unesp, nesses casos deve ser avaliada não apenas a agressão contaminante, mas a vulnerabilidade do ambiente afetado pela contaminação. “Essa vulnerabilidade depende de três fatores: exposição e sensibilidade ao contaminante, capacidade adaptativa ou de resposta ao efeito adverso e o atributo da população exposta”, observa.

De acordo com Braga, essa vulnerabilidade deve ser reduzida como uma das formas de se compensar a contaminação deixada para as gerações futuras. Essa redução deve ser aliada a outras metas, como fomentar trabalhos de desenvolvimento sustentável e ações de compensação de contaminação.

Sobre águas subterrâneas

A disponibilidade hídrica no Brasil é, segundo a ABAS, estimada em aproximadamente 350 mil metros cúbicos por pessoa. Em Israel, por exemplo, essa proporção é estimada em apenas 35 metros cúbicos e não existe preocupação com falta de água devido à eficiência na gestão. O sistema hídrico israelense depende integralmente de poços artesianos.

Os mais  importantes aquíferos brasileiros são: Barreiras (costa nordeste e norte do Brasil); Solimões e Alter do Chão (Amazônia); Cabeças, Serra Grande e Poti-Piauí (estados do Piauí e Maranhão); Açu (no Rio Grande do Norte) e São Sebastião (na Bahia).

Editora Rudder

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